O poder do que nunca envelhece

Há livros que nem o tempo consegue apagar.  São histórias escritas há séculos, em contextos totalmente diferentes, que ainda nos emocionam, inquietam e fazem pensar. Cada um, à sua maneira, fala sobre o que há de mais permanente no ser humano: amor, poder, inveja, medo, esperança.
Esses clássicos literários sobrevivem porque continuam dizendo algo essencial sobre quem somos.

O que faz um livro ser chamado de clássico não é apenas o estilo ou a fama, mas a sua capacidade de permanecer relevante. Ler Dom Casmurro hoje é entender como o ciúme ainda distorce percepções e destrói relações. Não à toa ainda há a dúvida se Capitu traiu ou não Bentinho, mas cá entre nós. Isso é menos relevante, do que o estilo machadiano, afinal quem melhor descreveria os olhos de ressaca de cigana oblíqua e dissimulada? Que conversa com o leitor como se estivesse sentado à sua frente.

Os clássicos nos lembram de que o ser humano, em essência, não mudou tanto assim. A tecnologia evoluiu, os costumes mudaram, mas as emoções continuam as mesmas.

Ecos do passado no presente

Cada época relê os clássicos à sua própria luz. O leitor contemporâneo vê em Vidas Secas o retrato da desigualdade que ainda marca o Brasil. Em A Ilíada, reconhece o orgulho e a vaidade que continuam provocando guerras — agora não apenas com espadas, mas também com palavras.
Os livros que atravessam o tempo fazem mais do que contar histórias: eles dialogam com o presente, revelando que o passado continua vivo dentro de nós.

A leitura como ponte

Ler um clássico é atravessar uma ponte entre o ontem e o amanhã. Ao abrir um livro antigo, participamos de uma conversa infinita com gerações que pensaram antes de nós. Esses textos não oferecem respostas prontas — e é exatamente por isso que continuam necessários. Eles nos ensinam a fazer perguntas melhores, a refletir, a duvidar, a compreender a complexidade da vida.

Um clássico não é apenas um livro antigo: é um espelho. E enquanto existirem leitores dispostos a olhar para dentro dele, essas obras seguirão iluminando o caminho. A literatura é o maior arquivo da experiência humana. Relê-la é reaprender a ser gente e a olhar para si mesmo, afinal as palavras são as mesmas, mas nós não.

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Joana D’arc Souza é jornalista, escritora, ghostwriter e revisora. Une técnica e sensibilidade para transformar ideias em textos que tocam, inspiram e despertam reflexão. Apaixonada por cultura, especialmente livros e pela força das palavras, acredita que a leitura e escrita são formas de autoconhecimento e de conexão com o outro. Seu objetivo é que cada texto seja um convite a sentir, pensar e se expressar com verdade. Instagram: @ajoanadarcsouza

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