Ideias que nascem pequenas

Nenhum texto começa pronto. Ele nasce de fragmentos, de uma frase perdida, de uma observação anotada às pressas. O rascunho é o lugar onde as ideias respiram antes de se transformarem em discurso. Quem não lembra das sequências em Todos os Homens do Presidente em que o jornalista Carl Bernstein (Dustin Hoffman)  anotava as informações dos entrevistados em papel higiênico?

Guardar anotações é uma forma de respeito à criatividade. Cadernos, celulares ou notas digitais servem como cofres de pensamento. O que hoje parece irrelevante pode se tornar o ponto de partida para um texto inteiro.

Rascunhar é libertar-se do medo do erro. É permitir que o pensamento se mova sem julgamento. Ao revisitar anotações antigas, descobrimos ideias que amadureceram com o tempo. Escrever é um processo de lapidação, e o rascunho é a pedra bruta.

Todo texto pronto é resultado de muitos começos. Os rascunhos nos lembram de que criar é aceitar o inacabado. É confiar que cada pequena ideia contém o potencial de se tornar algo maior.

Quem nunca percebeu a riqueza de textos soltos? Na música então sempre tem uma história de alguma letra guardada numa gaveta qualquer anotada num guardanapo, ou qualquer coisa que o valha, que anos depois se tornam pérolas. 

Rascunhos são pedaços da nossa alma dispersa que ao serem reunidos a reconstróem em um novo texto, uma nova parte de nós.

Não desvalorize os rascunhos ! A sua próxima obra pode estar ali escondida.

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Joana D’arc Souza é jornalista, escritora, ghostwriter e revisora. Une técnica e sensibilidade para transformar ideias em textos que tocam, inspiram e despertam reflexão. Apaixonada por cultura, especialmente livros e pela força das palavras, acredita que a leitura e escrita são formas de autoconhecimento e de conexão com o outro. Seu objetivo é que cada texto seja um convite a sentir, pensar e se expressar com verdade. Instagram: @ajoanadarcsouza

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