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- Quando a justiça diz “Não é crime”: Liberdade de expressão e o valor da dignidade humana
- Criada e escrita por Raphael Montes, segunda temporada de “Beleza Fatal” é confirmada
- Empurrar o aluno para frente não é educar — é abandonar com carimbo oficial
Autor: Silver Marraz
Quando a justiça diz “Não é crime”: Liberdade de expressão e o valor da dignidade humana
Não basta a lei existir; é preciso que ela proteja os mais vulneráveis quando a dignidade humana está em jogo, e não apenas resguarde o discurso sob o pretexto de liberdade. Por Silver D’Madriaga Marraz A decisão do ministro Gilmar Mendes, ao afirmar que chamar a deputada federal Erika Hilton de “homem” não configura crime de transfobia, não pode ser analisada apenas como um despacho técnico ou um exercício abstrato de interpretação jurídica. Ela precisa ser lida como um ato político, simbólico e social, com efeitos que ultrapassam os autos do processo e alcançam a vida concreta de milhares de…
A aprovação automática não salva alunos — apenas livra o Estado da responsabilidade. Por Silver D’Madriaga Marraz Há algo profundamente errado quando um governo decide tratar o fracasso educacional não como um problema a ser enfrentado, mas como um incômodo a ser empurrado para debaixo do tapete. A decisão do governo do Rio de Janeiro de permitir que alunos do Ensino Médio avancem de série mesmo reprovados em até seis disciplinas escancara uma lógica perigosa: a de que os números importam mais do que as pessoas, e os índices mais do que o aprendizado real. A medida é apresentada como…
O verdadeiro privilégio não é tentar corrigir desigualdades históricas, mas fingir que elas não existem em nome de uma igualdade abstrata. Por Silver D’Madriaga Marraz Existe um tipo de absurdo que não se apresenta de forma grotesca ou violenta. Ele vem vestido de discurso técnico, de palavras bonitas como “Constituição”, “isonomia” e “meritocracia”. É um absurdo elegante, jurídico, aparentemente racional — e exatamente por isso tão perigoso. A posição do deputado estadual Guto Zacarias (União-SP), ligado ao MBL, contra as cotas para pessoas trans é um exemplo claro desse tipo de distorção travestida de defesa da lei. O deputado afirma…
Não é absurdo quando vemos a justiça virar moeda de troca; o absurdo é aceitarmos isso como normal. Vivemos um tempo em que a política deveria estar com os pés fincados no chão da vida real. Um tempo em que o debate público precisaria girar em torno do que dói todos os dias na população: hospitais superlotados, escolas precarizadas, famílias sem moradia digna, trabalhadores exaustos tentando sobreviver. Mas o que se vê, repetidamente, é um descolamento quase cínico entre o que o povo vive e o que ocupa a agenda do poder. Enquanto milhões de brasileiros acordam cedo para enfrentar…
Quando até o pão é tratado como ameaça, é porque a humanidade assumiu claramente a sua postura de ser desprezível Vi ontem um bichoNa imundície do pátioCatando comida entre os detritos.Quando achava alguma coisa,Não examinava nem cheirava:Engolia com voracidade.O bicho não era um cão,Não era um gato,Não era um rato.O bicho, meu Deus, era um homem. As palavras de Manuel bandeira nos mostra que há momentos em que a realidade política ultrapassa o limite do absurdo e se torna uma espécie de espelho distorcido da nossa própria desumanidade. O episódio recente envolvendo a vereadora Talita Galhardo, que pediu publicamente para…
Que espécie de mundo permitimos construir quando levar um corpo à delegacia com as próprias mãos e ainda ser liberado é chamado de “justiça”? Por Silver D’Madriaga Marraz Há acontecimentos que parecem tão absurdos que, por alguns segundos, a mente tenta recusar a realidade. A notícia de que um motorista matou uma mulher trans, carregou o corpo até a delegacia e ainda assim saiu pela porta da frente como se tivesse apenas prestado um favor ao Estado é um desses episódios que revelam não apenas uma tragédia individual, mas a falência de algo muito maior: a falência moral de uma…
Quando a vida é tratada como procedimento: atenção médica, empatia e a responsabilidade que não pode falhar
Nenhuma tecnologia substitui a humanidade que deveria acompanhar cada toque de uma mão que cuida. Por Silver D’madriaga Marraz A morte do pequeno Benício Xavier, de apenas seis anos, após receber uma dose fatal de adrenalina em um hospital particular de Manaus, abriu uma ferida que o Brasil insiste em ignorar: o descaso, o despreparo e a desumanização que atravessam silenciosamente muitos espaços onde a vida deveria ser prioridade absoluta. Diante do corpo do filho, o pai pediu perdão. Perdão por tê-lo colocado na maca, por confiar que estaria seguro, por acreditar que a medicina nunca falha quando se trata…
Nenhuma sociedade se torna justa enquanto seus homens permanecem calados. O apelo do ministro Luiz Edson Fachin ecoa como um grito que atravessa séculos de violência normalizada: que o silêncio seja substituído pela denúncia. Mas esse pedido é muito maior do que uma frase judicial; é uma convocação moral. Uma convocação dirigida, sobretudo, aos homens que não se reconhecem como machistas, mas que também não se movimentam para enfrentar a cultura que mata mulheres todos os dias. O feminicídio não é um acidente, nem um desvio individual. É o resultado de um sistema inteiro que educa homens para o domínio…
A dor que não se vê também pede cuidado. Por Silver d’Madriaga Marraz Há gestos que parecem absurdos, atos que se tornam notícia pela estranheza, mas que carregam dores que ninguém viu. O rapaz que pulou na jaula da leoa não foi apenas um jovem que desafiou a lógica; foi, talvez, o retrato de uma doença que caminha pelas frestas da mente humana com passos invisíveis: a esquizofrenia silenciosa. Uma condição que não se revela de imediato, que não anuncia sua chegada com alarme, mas que se instala lentamente, esculpindo realidades paralelas dentro do cotidiano. Vivemos em uma sociedade que…
A POLÍTICA DO CUIDADO: o feminismo, a assistência social e a revolução silenciosa do trabalho invisível
Quando o cuidado não é visto, a humanidade adoece — e quando ele é valorizado, uma nova sociedade nasce. Por Silver D’Madriaga Marraz Há um território silencioso onde a vida acontece sem alarde. Nele, não há manchetes, prêmios ou aplausos. Há mãos que lavam, cozinham, acolhem, organizam, pensam, preveem, antecipam, sustentam e, quase sempre, renunciam. Esse território se chama cuidado. E por mais que as sociedades modernas tentem reduzi-lo a um favor doméstico, a um instinto feminino ou a uma obrigação moral, o cuidado é, na verdade, uma política — a mais profunda, estruturante e negligenciada política da existência humana.…
