Vivemos cercados de pressa. As telas piscam, as notificações não param, e o tempo parece escapar pelos dedos. Nesse turbilhão, a poesia chega como uma pausa necessária — um convite para ver o mundo de outro jeito.
Ler um poema é desacelerar o olhar. É reencontrar o que é essencial.
O olhar poético
A poesia e a percepção caminham juntas. Ao ler Drummond, Adélia Prado ou Manoel de Barros, aprendemos a notar o extraordinário no comum: uma tarde de chuva, um café quente, uma lembrança simples.
O poeta nos ensina a ver o invisível — aquilo que só aparece quando olhamos com atenção.
Em tempos de excesso de informação, o olhar poético é um ato de resistência: ele devolve profundidade ao instante e significado à rotina.
A poesia não explica, ilumina. Quando Cecília Meireles escreve sobre o “eterno nas coisas do tempo”, ela nos lembra que até o efêmero carrega beleza.
Os versos reorganizam o mundo. O que antes parecia banal ganha contorno, forma e emoção. É por isso que ler poesia é também um ato de transformação: a palavra muda o olhar, e o olhar muda o mundo. Não à toa, quando nos deparamos com alguém sensível, dizemos, ainda que intimamente: essa pessoa tem alma de poeta. Por conseguir ver a beleza no mundo, onde os mortais, só veem o caos.
A poesia como cura
Ler poesia é um gesto de autocuidado. Em meio ao barulho, o poema pede silêncio e entrega. Ele nos ajuda a reconectar com o sentir, lembrando que emoção e pensamento caminham lado a lado.
A poesia não muda as circunstâncias, mas muda como habitamos o mundo. Um único verso pode trazer consolo, esperança ou coragem.
Permita-se viver mais poeticamente: leia um poema por dia, sublinhe o que te toca e compartilhe o que desperta em você.

